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Novo Canto

3 de outubro de 2009

Entendido?

Que tipo de querer conhecer é esse que já começa com julgamentos e conceitos? O homem é feito de atitudes, realmente, mas tolos e pequenos acontecimentos não resumem o seu caráter.
A verdade é que não gosto que me julguem sem me conhecer. Não diga que eu sou xis, porque você me viu xis na última sexta-feira. Nem pense que sou XY porque no dia seguinte você me viu Y.
Posso conhecer uma pessoa aos prantos e não vou pensar que ela é deprimida. Vou pensar que ela está triste. Posso conhcer uma pessoa dando ataque histérico, mas não dou dizer que ela é histérica, e sim que está. Ciúmes? ciúmes são passageiros: não quer dizer ciumento.
Sou muito mais, ou menos, do que as pessoas podem deduzir.´Tenho a consciência limpa disso. E que se danem os coitados, que pensam que você pode descobrir uma pessoa num piscar de olhos. Tem gente que morreu sem ser entendida. Tem Macabéia, tem Virgínia, tem Clarice. E provavelmente eu farei parte desse povo, com muito orgulho. Não quero ser entendido, quero ser amado e compreendido.

26 de setembro de 2009

Tenho que aceitar um barulho infernal dentro de minha casa por causa da construção de um prédio em frente ao meu. Quanto sofrimento, meu Deus. Acordo com bate-estacas às 7 horas da manhã todos os dias. Só tenho paz no domingo, e olhe lá, porque aqui no meu bairro existem uns pagodeiros que passam com os porta-malas abertos e o som no maior volume. Uns tem até o adesivo "O Fim do Silêncio".

Gente, sabem o que é isso? O fim do silêncio é literalmente o fim. O fim da picada.

Não tem lexotan que dê jeito, meus neurônios estão sacudidos com tanto barulho. Me leve daqui Deus. Me leve para o paraíso, se os pagodeiros e os empreendimentos imobiliários não tiverem tomado conta de lá.

Amém

6 de junho de 2009

Eu Fui pra Zii e Zie!

Eu fui sozinho ao show de Caetano Veloso, ontem, na Concha Acústica, sem nem conhecer direito as letras do novo cd Zii e Zie. Antes de sair de casa, ouvi o disco na rádio uol para sentir e ter noção de qual o recado que o artista queria passar.
Não sou crítico musical, tampouco antenadíssimo com as mudanças da música brasileira, no entanto, sou um apreciador daquilo que considero bom para os meus ouvidos.
O show foi tranquilo, vi a face de um Caetano sempre jovem e revolucionário. Não sei se é o fato dele estar velho - como ele mesmo falou na abertura do show-, mas Caetano agora assume uma postura sarcástica sobre a realidade sem perder o tom saudosista e revoltado. Sei lá.
O que sei é que foi lindo da mesma forma. Um ritmo meio rock progressivo, psicodélico, com um misto de revolta e insatisfação e uma pitada considerável de sensibilidade que só Caetano tem. Viva a Caetano. A gente precisa de artistas assim, que palpitem, que critiquem, doa a quem doer, goste quem gostar.
Afinal, qual o papel do artista então?

3 de junho de 2009

Quem sabe um dia

Quem sabe um dia você me encontra sentado na esquina da Constante Ramos comendo feijão carioca com batata frita e um molhinho de pimenta a la Bahia.
Ou fumando um cigarro ao lado de Carlos Drummond de calça de capoeira de Angola. Quem sabe um dia eu consiga achar você caminhando no Rio Vermelho de camisa listrada e certa calça americana, fumando como quem não quer nada, somente olhando o oceano.
Por enquanto à noite eu me dispo, visto um manequim 38, e saio na avenida Atlântica caçando a presa de minha sobrevivência, suprindo minha ânsia.
Você lembra do segundo dia em que te vi? Desfeitos do efeito do álcool, me reparei olhando você melado de bronzeador, com as tatuagens expostas ao sol daquele mês de março. O silêncio entre nós foi quase ensudercedor. Você queria me amar, e eu queria te lamber e vice-versa.
E à noite você veste sua bermuda xadrez e sai por aí bebendo fontes regadas a vinho. Chuta as pedrinhas do caminho sorrindo e soltando palavras soltas para os seus amigos.
Eu a essa altura já tenho os olhos abertos, as mãos inquietas: não seguro as letras. Elas se perdem nos arcos da solidão.

21 de abril de 2009

Essa chuva que arrasta casas, que alaga ruas, que desabriga famílias, me desnuda por completo. Lava meu rosto, mostra a minha verdadeira face diante do reflexo dos vidros dos carros, do espelho de meu banheiro.
Já não me pinto mais para esconder rugas. Elas aparecem sem que eu perceba, enrugam até a minha alma. Mostram minha velhice escondida nas artemanhas de um falso jovem. Não tenho mais 20 anos, não sonho mais em ser astronauta. Não tenho mais os amigos de outrora nem desejo tê-los para brindar as noites de lua cheia.
Nesses dias de chuva observo da janela as gotas nas folhas das árvores, fico pensando como é ter sua casa arrastada pela chuva. E ao mesmo tempo enxugo o suor do nervosismo. Estou em busca de algo que desisto ao ouvir os trovões.
Essa chuva me desnuda. Me desnuda por completo.

16 de abril de 2009

Mudando com o rio


Na mesma velocidade que corre o rio, levando o berço de Moisés para cada parte do mundo, a vida se renova nas estações. Com as mudanças são assim também. De canto em canto, até se achar por completo e para a eternidade.
Todos vivem em busca de algo que pode estar em qualquer coisa, lugar, pessoa, forma, mas vai partir sempre de dentro de cada um. Esse desejo de mais, ou menos, e ao mesmo tempo de paz, é particular do ser humano.
Na verdade esse meu texto chato – eu adoro escrever coisas chatas – é só para dizer que vou mudar de casa, novamente. Geralmente costumo dramatizar as coisas demais, nove mudanças ainda é pouco pro tanto que quero viver.
Pelo histórico familiar, não tenho descendência cigana. A estabilidade existe, só a estabilidade do chão onde pisamos que não. Ah, mas os ciganos não tem tantos móveis, livros, papéis, cartões velhos e coisitas pequenas insuportáveis de guardar. Sempre leio todas as minhas agendas quando arrumo minhas coisas. Leio cartas, provas, vejo fotos, revivo. Não apago o passado.
É como a vida que se renova nas estações. Moises vai viver a vida onde o rio lhe deixar, e lá será outra longa história. Ele vai ter o chão onde pisar. Mudanças me lembram mais o rio do que os ciganos.
Detalhe: ainda não sei onde vou morar.

15 de abril de 2009

Premio Braskem de Teatro foi palco de protestos


Se não fossem os artistas que subiram ao principal do Teatro Castro Alves, na noite de anteontem, o Prêmio Braskem de Teatro 2008 de teatral não teria nada. Quem se acostumou às ultima edições do evento, recheadas de encenações e esquetes teatrais, teve que se conformar com a esforçada apresentação dos atores Márcia Andrade e Widoto Áquila, que realizaram uma bela homenagem a Hebe Alves, dama do teatro baiano.
O evento, no entanto, não perdeu o tom de protesto, e foram muitas as mensagens para a classe artística. “Cadê diversos artistas que não estão nesse palco? A falta de oportunidade para a classe teatral é algo grave que está acontecendo na Bahia. Agnaldo Lopes, cadê? Não é um protesto, é um aviso. Tem que resolver esse negócio”, disse o diretor teatral Fernando Guerreiro ao entregar o prêmio de melhor espetáculo adulto para “Policarpo Quaresma”, dirigida por Luiz Marfuz.
Em tempos de crise, ficou claro que a Braskem economizou dinheiro e preferiu poupar críticas dando continuidade à principal premiação do teatro baiano. Marfuz fez questão de parabenizar a Braskem. “É importante nesse tempo de crise acontecer o Braskem de teatro. Uma lição para todas as empresas, para todo mundo. Não queremos viver da utopia. A cultura tem que sair”.
Nos rápidos discursos de alguns dos vencedores, a tônica foi justamente a dificuldade do teatro baiano em promover a cultura no estado e servir de chamariz para a arte.
Protagonista de Policarpo Quaresma, o ator Hilton Cobra considerou a Lei Rouanet – atualmente em discussão pelo Ministério da Cultura – apenas uma medida paliativa e disse ser preciso incentivo ao público. “O maior problema hoje é a acessibilidade do público ao teatro. A lei Rouanet é paliativa. É preciso descobrir mecanismos para que o público volte ao teatro”, desabafou.
Encarnando o espírito do seu personagem, um servidor público que luta por causas sociais do país em pleno início da Segunda República do Brasil, Hilton Cobra não poupou críticas durante sua ‘performance policarpiana’. “Precisamos abrir os olhos para a televisão brasileira. A partir do momento que a televisão massificou a mediocridade o público do teatro desapareceu. A TV é uma concessão pública e tem que servir às artes. O governo e a TV tem que fazer o povo pensar”.
A premiação, que durou cerca de 1 hora e meia, não levou ao público a lembrança do lúdico dos palcos. Nos bastidores, se comentava que a Braskem pensou duas vezes em organizar a festa diante da crise econômica. Optou pelo sim e estabeleceu regras: sem teatralidade, sem apresentações de grupo.
No júri, renomados nomes da classe artística baiana e brasileira: a professora de Interpretação teatral da UFBa, Hebe Alves, a atriz Vadinha Moura, a diretora teatral e dramaturga Adelice Souza, o ator e mestre em Artes Cênicas Hirton Fernandes, o artista plástico, cenógrafo, figurinista e diretor de arte Gilson Rodrigues, o ator e professor da Escola de Teatro Paulo Cunha, e a professora da Escola de dança da UFBa, Beth Rangel.
A Orquestra Sinfônica Juvenil Dois de Julho, do Projeto Neojibá, deu o tom ao evento com um concerto emocionante, mas pouco aproveitado. Faltou dinheiro pro teatro, cumpadi? Qui sacanage.
(por Hieros Vasconcelos)

do.
Os vencedores:

Espetáculo: Policarpo Quaresma
diretor Luiz Marfuz: “Esse espetáculo foi criado com pouco dinheiro e muita vontade de continuar a dar alegria às pessoas. Este ano completo 30 anos de teatro e quero dividir isso com a Bahia”.

Espetáculo Infanto-Juvenil: “Os Prequetés”

Direção: Luiz Marfuz – Policarpo Quaresma

Ator: Urias Lima – “Um caso de língua”

Ator Coadjuvante: Armindo Bião – “O pique dos índios ou a espingarda de Caramuru”

Atriz: Cláudia Di Moura – “Policarpo Quaresma”

Atriz Coadjuvante: Elaine Cardim – “Policarpo Quaresma”

Texto: Dina Pereira – “Memória Ferida”

Categoria Especial: Fábio Espírito Santo (iluminação)
“A prefeitura atual teve a idéia de fechar o Teatro Gregório de Matos, o único teatro municipal daqui”

Revelação: Rodrigo Frota

10 de abril de 2009

Ah, Rita sacana!


A Rita levou meu sorriso
No sorriso dela
Meu assunto
Levou junto com ela
E o que me é de direito
Arrancou-me do peito
E tem mais
Levou seu retrato, seu trapo, seu prato
Que papel!
Uma imagem de são Francisco
E um bom disco de Noel
A Rita matou nosso amor
De vingança
Nem herança deixou
Não levou um tostão
Porque não tinha não
Mas causou perdas e danos
Levou os meus planos
Meus pobres enganos
Os meus vinte anos
O meu coração
E além de tudo
Me deixou mudo
Um violão


(música de Chico Buarque)

4 de abril de 2009

Cartinha para a mamãe

“Sempre me assustava com o cachorro da casa 13 da rua da Paciência. Quando eu passava pela calçada ele corria até as grades, e via em seus olhos uma vontade louca de me fazer de brinquedinho para coçar seus dentes. Nesse dia ele não estava lá. Me questionei por segundos o que ele estaria fazendo, depois voltei ao mundo onde os problemas latiam pra mim.
Do lado esquerdo da rua, Dona Arlete passava com seu poodle de lacinhos vermelhos nos pés e um casaquinho do Flamengo, paixão calorosa de seu marido. Segundo a minha diarista, Dona Arlete não podia ter filhos e tratava o cachorrinho como se fosse um. Engraçado foi que não levei a sério, mas dias desses, no ponto de ônibus, Dona Arlete explicava ao cachorro porque Noé abrigou todos os bichinhos em sua arca. “Criação católica”, pensei.
Andei pensando se assim como Dona Arlete, eu também faço parte das conversas dos porteiros e diaristas, mas preferi me dedicar ao trabalho que tinha pra fazer naquela noite. Sempre que chegava em casa no rosar da madrugada, preparava um café e colocava a ração de Luzia, uma mistura de persa com vira-lata que uma colega do trabalho me deu, afirmando que eu era muito solitário, talvez porque nunca cedi ao flerte barato dela.
Eu passei a gostar de Luzia quando ela matou uma barata voadora que passei dias tentando matar com baigon, mas ela sempre escapava por debaixo dos móveis. Aquela foi a maior prova de fidelidade que um animal poderia ter feito por mim. E com prazer, pois Luzia brincava com o inseto ainda morto, jogando-o de um lado pra outro. Naquela noite, depois do café, dormi. Café me dá sono às vezes.
Sinceramente, eu não me lembro de ter matado alguém neste dia. Pelo contrário, até hoje eu acho que alguém matou minha gatinha, mas segundo a polícia, Dona Arlete me viu entrando na casa 13 e brigando com o dono do cachorro. Porque diabos eu iria brigar com uma pessoa que nunca vi na vida? Admito que odiava aquele cão, pois toda vez que passava em frente àquela casa ele me dava um susto. Eu sou muito distraído, e quando tenho raiva, sou perverso. Se eu tivesse matado o dono do cão, acabaria matando o cão também.
Ah mamãe, preciso que a senhora me tire daqui urgente. Não consigo fazer amigos e todas as pessoas riem da minha cara quando digo que eu não matei ninguém. Sonho com o cão latindo pra mim todos os dias e não sei porque essa perseguição. Eu era tão feliz com Luzia. Os médicos disseram que eu nunca tive uma gata, imagine? E que na casa 13 não tinha cachorros, que tudo isso era fruto da minha mente. Eu sei que havia um cachorro que latia para mim e que me olhava com repulsa e ódio. As pessoas dizem que eu tinha uma pistola mamãe! Pode rir, mas eu só choro.
Lembra que quando papai mandava eu matar os passarinhos da fazenda, eu nunca consegui acertar nenhum? Eu estou te contando tudo isso pra você saber que é tudo mentira o que eles falam.
Tem alguma coisa errada com as pessoas, mamãe. Lembra daquela última vez que nos vimos? Você dizia que estava na hora de eu me casar com uma mulher, que eu não podia ficar me envolvendo com homens e sem querer eu lhe machuquei com aquela faca que cortava cebola para a senhora fazer a sopa. Pra onde a senhora foi depois daquele, heim? Eu lhe obedeci e nunca mais me envolvi com homens. Lembro, até, um dia que estava indo comprar ração na mercearia da esquina lá da rua e um sem vergonha que nunca vi tão gordo ficou fazendo sinais para mim. Me deu uma raiva mamãe, mas fui logo pra casa pois Luzia estava faminta. Acredito que o sem vergonha morava lá na rua, pois ele me perturbou outros dias também. Só não sei em qual casa, porque todo mundo que mora na rua da Paciência eu conheço. É isso mamãe. Sinto saudades da senhora.
Venha logo me buscar e traga um gatinho pra mim. Eu não posso demorar, porque os homens de jaleco me enchem o saco.
Um beijo de seu filhote.”
- Você pode colocar esta carta no correio pra mim por favor?
Qual o endereço?
- Ta aí no fundo. Tudo certinho.
- “Cemitério Bosque da Paz”.... Tsc, esses loucos...

3 de abril de 2009

Pra quê inventaram celular com walkman?


Como se já não bastasse o sistema de transporte público precário, superlotado, caindo aos pedaços, agora o pedestre tem que aturar mais uma nos coletivos fétidos que rodam Salvador.
A tecnologia tratou de trazer pra Bahia o tal do celular walkman, quase um protótipo de trio-elétrico que está no bolso de todos os pagodeiros.
Hoje em dia ninguém passa uns minutos sem ouvir um pagodão, um axezão, um funkão.
Nem com meu radinho no ouvido, sintonizando Educadora FM ou Band News (O seu Caminho), eu consigo escapar do requintado gosto musical desse povinho querido que eu amo.
Nessas horas tenho que estar de bom humor e entender o contexto histórico e cultural do indivíduo. "Deixa ele, Hieros, só está se distraindo, ele não sabe o que é respeito". "Distraindo o caralho, esse retardado não vê que ninguém quer ouvir essa porcaria? Compra um fone, porra", penso, mais realista, mais eu.
O pior é que atraio esse tipo de gente: geralmente pagodeiro - nada contra o gênero, só me baseio pelo fatos. Procuro sentar numa cadeira cujo vizinho não tenha cara de que vai ligar o walkman. Putz, as pessoas hoje em dia estão muito mascaradas, e eu sempre erro o lugar.
No auge de minha irritação, me levantaria e sentaria em outro canto para que ele percebesse o meu desgosto. Mas meu sonho era mandar o sujeito se tocar, dizer que o barulho agride o direito de silêncio dos outros e bla, bla, bla. Sei que ele diria que "o buzu é público" e eu não teria argumentos para faze-lo entender. Sei que coligados do sujeito iam discursar: o bem é público, o rádio é meu, os incomodados que se mudem, não estou batendo, nao estou roubando, nao estou matando.
Então, como nada posso fazer nessas horas, tento persuadir com o olhar o ignorante. Olho para cara dele, pro celular, para cara dele, pro celular. Faço um bico, mexo no fone do meu ouvido com aquela cara de desgosto, de velho chatoa e rabugento. E nada.
Quando estou à flor da pele, apelo pros santos, rezo e tudo, porque senão me deprimo. Fico que nem criança, tentando ter super poderes. "Explode, explode porcaria de celular".
O onibus chega ao meu destino, no bairro de Nazare, onde tem um relogio que olho sempre para me situar no tempo. Desço, agradeço ao motorista. Se a primeira pessoa que sair disser obrigado, eu em seguida falo bom bia, pra complementar.
Ajeito os meus oculos, a minha calça, a posição da minha pasta e desço a pé a ladeira da Igreja de Nossa Senhora de Nazaré. Até sorrio. Morar na Bahia e andar de ônibus, como diz minha mãe, é um resgate cármico. Tudo é aprendizado, tudo é aprendizado.